17/11/2021 às 18h16min - Atualizada em 17/11/2021 às 18h33min

Bolsonaro poderá opinar à vontade no PL

A sigla esteve reunida na tarde desta quarta e decidiu por unanimidade que o presidente do partido pode conduzir uma provável filiação de Bolsonaro, que está sem partido, no PL.

G1
Foto: Reprodução /Sergio Lima AFP

O senador Jorginho Mello (PL-SC) afirmou que os presidentes estaduais do partido, reunidos nesta quarta-feira (17) em Brasília, deram ao presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, "carta branca" para acertar com Jair Bolsonaro os termos da filiação do presidente da República ao PL.

Jorginho Mello deu a informação enquanto a reunião entre Costa Neto e os demais dirigentes ainda transcorria. Ele disse que estava "autorizado" pelo presidente do partido a fazer o anúncio.

"O partido, unanimemente, entrega uma procuração ao presidente Valdemar para que ele trate com o presidente Bolsonaro, e todo mundo vai receber o presidente de braços abertos", declarou o senador.

A reunião aconteceu três dias após Costa Neto ter anunciado o adiamento da filiação do presidente Jair Bolsonaro à legenda, pela qual, se acertada a filiação, Bolsonaro disputará a reeleição no ano que vem.

No último domingo (14), por meio de nota, o PL informou que, por “comum acordo”, a cerimônia que selaria o ingresso de Bolsonaro na legenda tinha sido adiada. O evento estava marcado para o dia 22.

Políticos do PL afirmam que o cancelamento foi motivado por entraves em alianças nos estados para as eleições de 2022.

Em viagem a Dubai, Bolsonaro afirmou, após o adiamento, que as coligações estaduais deveriam ser discutidas. “A gente não vai aceitar, por exemplo, São Paulo apoiar alguém do PSDB”, disse.

Jorginho Mello afirmou que não haverá problemas com as representações do PL nos estados e que Costa Neto resolverá as "arestas" regionais. Segundo ele, não haverá coligação com outro partido que não esteja "alinhado" com Bolsonaro.

"Tudo encaminhado, tudo resolvido. Todos os estados – Nordeste, Sul, Norte – o apoio do partido será para o presidente Bolsonaro e não terá nenhum governador, nenhum senador que não esteja alinhado com o projeto do presidente Bolsonaro", declarou. Em Dubai, o presidente citou outras pendências a serem resolvidas com o PL. 

“Temos muitas coisas a acertar ainda. Por exemplo: o discurso meu e do Valdemar nas questões das pautas conservadoras, nas questões de interesse nacional, na política de relações exteriores", detalhou Bolsonaro. "A questão de defesa, os ministros, o padrão de ministros a continuar. Casamento tem que ser perfeito."

Após a reunião com os presidentes regionais do PL, O senador Wellington Fagundes (PL-MT) afirmou que o PL é "um partido de centro".

“Estamos recebendo o presidente com uma posição ideológica muito clara. Dificilmente acontecerá uma coligação com um partido de esquerda”, afirmou.

Outro obstáculo à filiação, conforme mostrou o blog da jornalista Andréia Sadi, é a repercussão negativa da união de Bolsonaro com o partido de Valdemar Costa Neto, condenado e preso por causa do escândalo do mensalão.

Eleito presidente pelo PSL em 2018, Bolsonaro deixou o partido em 2019 em meio a divergências com a cúpula da legenda. Ele chegou a articular a criação de uma nova sigla, a Aliança Pelo Brasil, que não passou da fase de coleta de assinaturas.

Para concorrer à reeleição, Bolsonaro precisa estar filiado a um partido político pelo menos seis meses antes do pleito – ou seja, até abril do ano que vem.


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