27/10/2021 às 16h42min - Atualizada em 27/10/2021 às 16h42min

Heineken avalia aumentar preço das cervejas no Brasil

A expectativa de analistas é que, com a redução de volumes vendidos pela Heineken no país, Ambev tenha ganhado fatia de mercado

Valor Econômico
Foto: Bloomberg

Beber cerveja no Brasil pode ficar ainda mais caro. Depois da Ambev anunciar aumento de preço das bebidas, agora, a concorrente Heineken diz que analisa um reajuste, dado o cenário macroeconômico volátil.

“Estamos escolhendo abordagens assertivas de preços e custos em todos os nosso mercados para responder a esse desafio", escreveu o presidente global da cervejaria holandesa, Dolf van den Brink, no relatório de resultados.

Logo após o anúncio do aumento de preços da dona da Brahma, Skol e Antarctica, no mês passado, o Valor entrou em contato com a fabricante holandesa. Na ocasião, a Heineken que disse que não previa revisões de preços no último trimestre deste ano, ou seja, de outubro até dezembro.

Mas não é só preço que está no radar do grupo holandês. Segundo relatório do Credit Suisse, a queda de “mid-teens” (algo entre 12% e 15%) do volume consolidado de cerveja da Heineken no país sugere que a Ambev teve “ganho forte” de participação de mercado. A categoria mais afetada segue sendo a econômica, cujos volumes recuaram 40%. Nos rótulos premium e intermediários, os principais do grupo, o crescimento foi “forte”, nas palavras da companhia, “superando o mercado”.

Os números de julho a setembro da Ambev, assim como de sua controladora AB InBev, devem ser publicados na madrugada desta quinta-feira.

A expectativa do mercado é de que haja algum recuo nos volumes e que as margens de cerveja no Brasil sigam pressionadas.  “Esperamos que os volumes consolidados caiam 2% na base anual, impulsionado principalmente por uma queda anual de 5,7% esperada para a cerveja no Brasil, embora ainda venha 18% acima dos níveis do terceiro trimestre de 2019, em uma combinação de crescimento da indústria de cerveja e recuperação de participação de mercado da Ambev durante a pandemia escreveram os analistas do BTG Pactual.

O BTG Pactual também estima que a margem Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) fique em 30,3%, a mais baixa para um terceiro trimestre em pelo menos duas décadas.

A margem da companhia é um indicador acompanhado de perto pelo mercado. Um analista de outro grande banco apontou que a expectativa é de que esse indicador siga pressionado, não só pelo aumento de custos de insumos, mas, também, pelo aumento de despesas de vendas e administrativas.

“Por muitos anos a Ambev não pagou bonificações e perdeu talentos”, diz o analista, apontando que a companhia tem se empenhado na retenção de profissionais e na inovação de formatos, como acontece com o Zé Delivery, serviço de entrega de bebidas ao consumidor final.

O serviço, aliás, deve exigir ainda mais investimentos da companhia, o que deve também pressionar a margem nos próximos trimestres, destaca o analista. Ele acredita, no entanto, que o grupo ainda mostre resiliência ante a concorrência, que “tem tido muita dificuldade de expansão”.


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