29/04/2022 às 21h50min - Atualizada em 29/04/2022 às 21h50min

Flamengo pressiona CBF, que pressiona Conmebol. Depois de sete casos de racismo

A Conmebol finalmente anunciou, pressionada, que alterará a maneira de agir em relação ao racismo

Redação
Foto: reprodução/internet


Foram necessários sete casos de racismo, na Libertadores e Copa Sul-Americana, e o último deles com o  Flamengo, para que a CBF tivesse uma atitude mais firme.

Exigindo que a Conmebol seguisse o exemplo da Uefa. E decidisse atingir o ponto mais importante da questão. Punição severas e caríssimas aos clubes. Não mero afastamento do torcedor que decidir ser racista, a ponto de imitar um macaco, para lembrar que os negros formam a maioria da população do Brasil.

A impunidade é o grande incentivo em qualquer crime.

E o que acontece nos estádios sul-americanos é crime. As atitudes racistas, como jogar banana em direção à torcida adversária, como se estivesse alimentando macacos são repulsivas.

Só este ano foram sete casos. Nos jogos Palmeiras x Emelec, Corinthians x Boca Juniors, Estudiantes x Red Bull Bragantino, River Plate x Fortaleza, Olímpia x Fluminense, Millionarios x Fluminense e Universidad Católica x Flamengo.

E nos últimos sete anos, foram 27 casos de racismo comprovados nas competições organizadas  pela Conmebol. E, a rigor, só o Olimpia do Paraguai foi punido em 45 mil dólares, R$ 223 mil, em março deste ano.

Tudo o que os dirigentes de clubes não querem é promover jogos da Libertadores sem público. Ou perda de mando. Sendo obrigados a organizarem partidas fora de seus países, longe dos seus torcedores.

O caminho da punição é o mesmo que a Uefa passou a aplicar, há cerca de dez anos. Principalmente nos clubes do Leste Europeu, onde a intolerância à raça negra era tradicional nos mais radicais membros de organizadas.

Só quando os clubes passaram a perder mandos e multados, os absurdos pararam.

"A  CONMEBOL considera ABSOLUTAMENTE INACEITÁVEL qualquer manifestação de racismo e outras formas de violência em seus torneios. Assume e sempre assumirá sua parte de responsabilidade na luta contra todas as formas de discriminação. A luta contra este flagelo ocupa um espaço central nas preocupações e no trabalho da CONMEBOL, o que é evidente nas múltiplas campanhas de conscientização e ações de alcance massivo, assim como na aplicação de penalidades àqueles que incorrem nestas práticas desprezíveis.

"A  CONMEBOL promoverá mudanças nos regulamentos para AUMENTAR e ENDURECER as penalidades em casos de racismo. Compromete-se também a elaborar e implementar novos programas e ações que visem banir definitivamente este problema do futebol sul-americano", destacou a entidade em longa nota de repúdio.

A pressão do Flamengo à CBF impulsionou a cobrança à entidade sul-americana. Os dirigentes de clubes brasileiros já haviam cobrado a CBF e nada havia acontecido.

Mas bastou a partida Universidad Católica e Flamengo, com a famigerada atuação de um torcedor chileno imitando macaco, que finalmente a América do Sul parece ter 'acordado' para o racismo.

No futebol brasileiro, a situação também é absurda.

Com um copo de água atirado ao gramado tendo o mesmo peso de uma invasão. E pressionando os tribunais esportivos à perda de mando do clube envolvido. Daí os próprios torcedores supervisionarem e mostrarem à segurança do estádio a pessoa que atirou o copo de água.

A legislação brasileira é quase omissa em relação aos casos de racismo. Foi criada a figura de injúria racial para amenizar a situação. Por isso que o torcedor do Boca Juniors que imitou um macaco, ironizando a torcida corintiana, em Itaquera, foi detido. E solto após três horas, depois de o próprio consulado argentino pagar a multa de R$ 3 mil. 

É um incentivo aos racistas

Mas agora é obrigação da CBF pressionar de verdade a Conmebol. E exigir que a alteração na legislação seja real.

E os clubes tenham de pagar por atitudes de racistas infiltrados nas suas torcidas.

Só assim essa sequência de atitudes vergonhosas irá parar.

A tão criticada direção do Flamengo, desta vez, acertou em cheio.


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