07/10/2021 às 17h10min - Atualizada em 07/10/2021 às 17h10min

Com vacinação avançando, OMS lança plano para encerrar fase aguda da pandemia

Nesta quinta-feira, a OMS e a ONU lançaram um plano de vacinação mundial.

Foto: Fabrice Coffrini

O mundo conta com uma produção suficiente de vacinas para colocar um fim à fase aguda da pandemia até o final do ano. Por outro lado, as doses terão de ser distribuídas de forma igualitária até dezembro se essa meta quiser ser atingida.

 Nesta quinta-feira, a OMS e a ONU lançaram um plano de vacinação mundial.

Uma primeira etapa seria a de atingir 40% da população de cada país até o final de 2021, o que significaria o fim da fase aguda da crise. Em um segundo momento, a meta é de 70% até junho de 2022. Para isso, o plano precisa de 8 bilhões de dólares, além de transferência de tecnologia

Na avaliação das entidades, não existe falta de produtos e nem fornecimentos nos próximos meses. O maior obstáculo, no entanto, é a má distribuição de vacinas para alguns países, o que distancia de chegar à totalidade de imunizados no mundo.

Antônio Guterres, secretário-geral da ONU, alertou que não distribuir vacinas hoje "não é apenas imoral, mas também estúpido". A lógica é simples: enquanto enormes populações não são protegidas, elas poderão gerar novas variantes do vírus que, em algum momento, poderão criar resistência à vacina. Essa mutação, portanto, poderia voltar a atacar os países que gastaram bilhões de dólares para vacinar suas populações, jogando por terra todo o esforço de imunização.

Tanto a ONU como a OMS apontam que não há mais um problema de produção de doses. Por mês, 1,5 bilhão de vacinas estão sendo produzidas e, portanto, até meados de 2022 o mundo verá 11 bilhões de doses fabricadas.

Hoje, 6,5 bilhões de doses já foram administradas e um terço do mundo está protegido. Mas 75% delas foram apenas para os países ricos e os principais emergentes, contra apenas 5% na África.

Para Antonio Guterres, secretário-geral da ONU, "a desigualdade da distribuição de vacinas é a maior aliada da pandemia, permitindo que variantes ganhem espaço, mortes e perdas de trilhões de dólares".

 Guterres contou que propôs a criação de um comitê formado por empresas e governos para garantir essa vacinação global. "Mas não fui ouvido", lamento. Segundo ele, no lugar de um plano, o que se viu foi nacionalismo e diplomacia da vacina. Para Guterres, esse caminho fracassou.

Guterres alerta que a primeira meta estabelecida pela OMS, de vacinar 10% da população de cada país até o final de setembro, não foi atingida. "Não chegamos nem perto", lamentou. Mais de 50 países ficaram fora da meta e precisariam de apenas uma semana de produção mundial para que o objetivo fosse atingido.

Para o secretário-geral da ONU fez um apelo para que os países do G-20 deixem apenas de fazer promessas a apresentem suas doações.

Tedros Ghebreyesus, diretor-geral da OMS, também alertou que o mundo está "à beira do precipício do fracasso" se a vacina não for levada a todos. "Não há um problema de fornecimento. Mas de distribuição", disse. "Temos doses suficientes, se elas forem distribuídas", insistiu.

 Um dos mecanismos defendidos pela OMS para garantir a distribuição de vacinas é a suspensão de patentes. Mas europeus e alguns poucos países rejeitam um acordo neste sentido. Bruce Aylward, representante da agência, pediu que o governo brasileiro ajuda os demais países a chegar a um  entendimento, diante de sua experiência sobre o tema e sua capacidade de produção.

Para Tedros, se existe um tratado que permite tal quebra de patentes, o momento para usá-lo é agora. "Se não, temos de nos perguntar por qual motivo ele existe", completou.

Para atingir as metas, a ONU e a OMS recomendam aos governos:

- Trocar os cronogramas de entrega da vacina, com COVAX para aumentar a cobertura nos países necessitados;

 - Cumprir e acelerar os compromissos de distribuição de vacinas e doação à COVAX a curto prazo, para aqueles com promessas existentes;

- Estabelecer novos compromissos de compartilhamento de doses para facilitar o progresso em direção à meta de 70% de cobertura em cada país


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