07/10/2021 às 09h18min - Atualizada em 07/10/2021 às 09h18min

Projeto cria empregos para pessoas em situação de rua de Teresina

A fábrica de chinelos Andarilho emprega quatro pessoas que já moraram nas ruas e foram resgatadas pelo trabalho da associação

meionorte.com
Foto: Raissa Morais

Resgatar a dignidade das pessoas é a missão de vida do padre João Paulo, que coordena a Pastoral do Povo de Rua. Para isso, o pároco decidiu criar empregos para aqueles que não têm oportunidades no mercado formal. Hoje são quatro acolhidos com salário, trabalhando em uma oficina de chinelos.

A oficina tem até marca, com qualidade de impressão que não deixa a desejar para nenhuma grande marca. Com potencial personalizável, eles já vislumbram grandes lojas da capital que podem revender o produto. As sandálias andarilho buscam unir estilo e a transformação de vidas.

A entidade abriga 22 pessoas na sede, no bairro Macaúba, zona Sul de Teresina, onde está instalada a fábrica da Andarilho. Além disso, mais oito estão abrigados em outra casa na mesma região e mais quatro estão em um sítio, que está sendo estruturado para o trabalho na agropecuária. É como se o padre João Paulo fosse pai de 34 pessoas.

Para o sacerdote, o trabalho é gratificante. “É uma sensação de realização. A gente percebe que muitas vezes não conseguimos empregos para eles, então criamos os próprios empregos deles. Seja na fábrica de chinelos, com quatro internos e uma coordenadora. Além disso, estamos trabalhando para fazer a produção agrícola”, considera.

O padre tem um olhar atento para pessoas em situação de vulnerabilidade. “Eles não querem ficar simplesmente abrigados neste colégio, onde chegamos há um ano e meio. Nós queremos oferecer  muito mais que o acolhimento. Queremos que com o emprego na fábrica eles possam crescer e ter independência, conseguir alugar uma kitnet. É um caminho de evolução. Aqui eles adquirem experiência para trabalhar em outros lugares”, acrescenta.

 

Projeto foi iniciado pelo padre em Portugal

O padre João Paulo multiplica o trabalho que iniciou na Europa, onde concluiu estudos acadêmicos antes de retornar para o Brasil. “Em 2006 eu estava fazendo um doutorado em Sociologia em Lisboa. Então decidi fazer um trabalho social, porque eu tinha muito tempo livre. Passei um ano fazendo um trabalho de distribuição de alimentos junto com uma entidade que conheci lá”, lembra o religioso.

No entanto, a ideia do projeto ampliou-se no retorno ao Piauí. “Concluí meu mestrado e doutorado e voltei para a diocese, onde tive a ideia de continuar o projeto em Teresina. Mas eu não queria só dar comida, queria oferecer oportunidade e emprego para eles saírem da rua”, revela.

Oportunidades que transformam realidades

Adriano Oliveira tem 30 anos e passou um curto período da vida morando na rua, após problemas com a família. Mas hoje é uma pessoa “restaurada” a partir do apoio espiritual, emocional e laboral oferecido pela Pastoral do Povo de Rua. Atualmente ele trabalha na parte de montagem da oficina de sandálias.

Ele afirma que hoje é outra pessoa. “Eu estava na rua e fui resgatado pela pastoral, que permitiu que eu ingressasse no mercado de trabalho. É meu emprego, estou muito feliz porque posso conseguir novas oportunidades. É uma grande conquista que a pastoral oportuniza. Não é só me tirar da rua, mas também me fazer uma pessoa melhor”, conta.

A vida de Adriano se transformou após conhecer o trabalho realizado ali. “Eu passei cinco dias morando na rua, mas procurei ajuda. Graças a Deus encontrei o padre João Paulo. Fui morar na rua com conflitos de família, drogas e rebeldia. Mas fui resgatado. Agradeço muito à Pastoral e ao Padre João Paulo. Ele não faz isso só comigo. Ele permite que sejamos uma nova pessoa”, considera.

Para Eliane Carvalho, assistente social e coordenadora da oficina de sandálias da marca Andarilho, pessoas como Adriano só precisam de um “empurrãozinho” para a vida. “O trabalho é o melhor caminho para ressocializar. Eles só precisam de alguém que acredite no talento deles. Quem está na rua, muitas vezes com um apoio, pode mudar de vida. Eles precisam de um olhar diferenciado e não discriminatório. Todos merecem uma oportunidade na vida”, explica.

O trabalho de Eliane é administrar a equipe. “Iniciei como voluntária aqui na casa e desde que disse ‘sim’ para o padre eu disse ‘sim’ para vidas. E vidas são o que importa. Então incentivamos esses meninos na qualificação para conseguir inseri-los no mercado de trabalho. Queremos que eles possam reconstruir as próprias vidas e vínculos familiares”, diz.

Os internos passam por uma triagem com a assistente social e psicólogo. “A gente vê as experiências profissionais que eles têm, além do interesse deles em aprender. Então vamos encaixando as atividades. Eles querem a oportunidade de autonomia. Muitos têm talentos e desenvolvem o trabalho aqui”, finaliza.


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