01/10/2021 às 14h54min - Atualizada em 01/10/2021 às 22h19min

APADA- PI: A importante missão de promover a acessibilidade e a inclusão social dos surdos no estado

A diretora da Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos falou sobre sua trajetória na comunidade surda, em entrevista ao Portal Intopo.

Foto: Marcelo Gomes/ Intopo

A APADA (Associação de Pais e Amigos dos Deficientes Auditivos), é uma entidade brasileira sem fins lucrativos que visa promover a inclusão do surdo na sociedade, bem como capacitar voluntários (intérpretes) para o aperfeiçoamento da comunicação entre surdos e ouvintes.

 

Existem filiais da APADA espalhadas por várias cidades do Brasil. Em Teresina, capital do Piauí, começou no ano de 1991, e oferece serviços gratuitos de interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras) para os surdos que necessitem de acompanhamento, além de muitos outros projetos que envolvem o desenvolvimento da pessoa surda, especialmente as crianças.

 

Em Teresina a Associação é dirigida pela professora Maria de Lourdes, mais conhecida como professora Lurdinha, que entrou em 2001 na instituição e soma quase quarenta anos de contribuição para o estado do Piauí, sendo vinte com a comunidade surda, que segundo ela, com muito orgulho, amor e certeza pelo trabalho que desenvolve.

 

A professora destaca a alfabetização e letramento das crianças surdas, como um dos seus principais projetos na Associação: “Porque as crianças surdas, vivem no mundo delas, com a mãe protegendo-as, quando ela vai para a escola, ela se sente em um ambiente que não se identifica, e se desespera. Toda criança que vai para a escola pela primeira vez, precisa de um período de adaptação, ela grita, chora, se joga no chão. É como uma criança normal que vai para a pré-escola, só que a diferença é que as crianças surdas, esperneiam mais, mordem, beliscam. Tenho muitas marcas nos braços, já me morderam muito, mas eu aguentava tudo”.

 

A diretora da APADA-PI conta que desde o início tem um propósito, que era fazer com que as crianças surdas a entendessem e aprendessem a língua deles: “Eu mostrava as coisas, fazia o sinal pra eles, com muita paciência, sempre sorrindo, mostrando tudo, ensinando o mundo pra eles. É tão emocionante e muito gratificante, mas a minha missão só vai terminar quando eu morrer, enquanto eu tiver vida, e coração, estou atrás de fazer alguma coisa por eles, nem que eu esteja bem velhinha, já passei do tempo de me aposentar, mas não quero”, diz.

 

Lurdinha ressalta que, já errou muito durante toda a sua jornada, mas que isso fez uma importante parte do processo, e todos os erros serviram de aprendizado. A sua busca é constante, sempre buscou meios de atualizações profissionais, com a finalidade de facilitar o entendimento da pessoa surda, através da sua mediação.

 

“Com a facilidade de acesso à era digital, eu precisei aprender as coisas sobre computador e internet, para repassar para eles”, destaca.

 

Finaliza enfatizando que ver a conquista de cada um deles, representa uma de suas maiores conquistas também.

 


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