28/03/2022 às 14h07min - Atualizada em 28/03/2022 às 14h07min

Covid: como proteger criança de até 5 anos, que ainda não pode tomar vacina

BBC News
"O mesmo esquema de divisão de tempo pode ser adotado na hora do recreio, e as crianças podem ser orientadas a não compartilhar o lanche com os colegas", acrescenta Giamberardino.

4. Arejar bem a sala de aula

O avanço da ciência nos últimos dois anos mostrou que partículas minúsculas de saliva que contém o coronavírus ficam suspensas no ar por algum tempo, período em que elas podem ser aspiradas pelo nariz e pela boca e iniciam um novo ciclo de infecção.

Esse tempo que o patógeno fica "flutuando" num ambiente depende, principalmente, da circulação do ar.

Em lugares abertos, essa troca de ar acontece constantemente, o que diminui bastante o risco de ter contato com o vírus.

Já nos locais fechados, essa substituição do ar é mais demorada, o que permite ao agente microscópico permanecer em suspensão no ambiente por mais tempo. Isso, por sua vez, aumenta a probabilidade de infecção.

Mas existem algumas maneiras de reduzir bem esse risco na sala de aula. "Primeiro, é preciso deixar portas e janelas sempre abertas, para aumentar a circulação do ar", orienta Otsuka.

Se a sala tiver ventiladores, vale mantê-los ligados o tempo todo. Isso ajuda a dispersar aquelas pequenas gotículas de saliva em suspensão.

"Caso a escola conte com sistema de ar condicionado, é importante lembrar de trocar o filtro do equipamento dentro dos prazos estabelecidos pelo fabricante", complementa o infectologista pediátrico.

A ventilação não só diminui o risco de ter covid, mas de todas as outras doenças infecciosas que acometem o sistema respiratório, como gripe e resfriado.

5. Não sair se apresentar sintomas

Caso a criança comece a sentir qualquer incômodo típico de covid, gripe ou resfriado (nariz escorrendo, tosse, febre, dores…), a recomendação é não levá-la à escola ou qualquer outra atividade externa.

Isso evita que os vírus sejam transmitidos para outras pessoas e criem novas cadeias de contágio na comunidade.

"Essa é uma recomendação muito importante que, espero, seja adotada de forma permanente por todos os pais e responsáveis mesmo quando a pandemia acabar", pontua Otsuka.

É claro que manter o filho em casa demanda uma mudança de rotina e exige uma compreensão de todo o sistema de ensino e do local de trabalho dos pais.

Os especialistas indicam discutir com os representantes da escola alguns cenários em que a criança precisa ficar afastada. Assim, dá pra pensar, por exemplo, em algumas atividades que a criança com sintomas faça em casa nos dias em que não puder ir às aulas.

Vem vacina por aí?

Existe a possibilidade de que a CoronaVac, imunizante desenvolvido pela farmacêutica Sinovac e pelo Instituto Butantan, de São Paulo, fique disponível para crianças brasileiras de 3 a 5 anos nas próximas semanas.

O Butantan fez um pedido para a liberação da vacina na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o processo de análise está em andamento.

No dia 22 de março, a Anvisa realizou uma reunião com representantes de diversas instituições, como a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva, para discutir os dados apresentados.

Não há uma perspectiva de quando deve sair uma resposta para o pedido, mas a agência diz que "os técnicos da Anvisa continuam trabalhando no processo".

A CoronaVac já é utilizada amplamente na imunização de crianças menores em países como Chile e China.

No exterior, há discussões e estudos que também avaliam a vacina da Pfizer e a da Moderna nos pequenos, mas sem nenhuma definição sobre o uso desses produtos em larga escala nesta faixa etária.

A médica Isabella Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), destaca que a análise criteriosa da Anvisa é essencial para "dar segurança às famílias de que há critérios e um trabalho sério para a aprovação das vacinas contra a covid-19".

"Isso, inclusive, derruba o argumento falacioso de que os imunizantes seriam experimentais e não têm segurança comprovada", diz.

Ballalai também chama a atenção para o impacto que a covid-19 teve no público infantil. "Não estamos falando de uma doença leve ou com risco negligenciável nas crianças", alerta.

"E a vacinação é essencial para diminuir os quadros graves, as hospitalizações e as mortes por covid em qualquer faixa etária", conclui a especialista.

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