24/03/2022 às 08h30min - Atualizada em 24/03/2022 às 08h30min

Psicologia e Emagrecimento: Psicóloga e Mestra pela UFPI Ana Cláudia esclarece ao Intopo

Estar acima do peso pode ser um desequilíbrio para muitas pessoas por questões de saúde, estética ou de baixa auto estima

Maria Elvira
Psicóloga Ana Cláudia Carvalho, mestra pela UFPI e Pós Graduada em Comportamento Alimentar pela IPGS.


Excesso de peso ou obesidade pode ser considerado, atualmente, o maior problema de saúde pública no Brasil e em diversos países, nos quais a cultura alimentar modificou-se tanto nas últimas décadas, assim como a forma de viver, de se relacionar e de se locomover.

Culturalmente o comer está diretamente ligado ao bem-estar. Quando recebemos alguém em nossa casa, por exemplo, oferecemos um bolinho, cafezinho, numa tentativa de mostrar o quanto estamos felizes.

Também quando nos sentimos rejeitados, frustrados e tristes, tendemos a descontar na comida e comer exageradamente – uma barra de chocolate inteira, um pacote de bolacha recheada, litros de refrigerante, sorvete – tudo que  traga momentaneamente sentimentos de prazer e felicidade. Comer ajuda na manutenção da vida, porém quando exagerado, pode trazer prejuízos tanto físicos quanto emocionais.

Estar acima do peso pode ser um desequilíbrio para muitas pessoas por questões de saúde, estética ou de baixa auto estima, não é a toa que as academias estão cheias de pessoas com esse objetivo, além disso existem hoje milhares de programas para emagrecimento, porém muitas vezes não funcionam porque o problema precisa ser resolvido de dentro para fora.

O acompanhamento psicológico irá apresentar ao indivíduo uma nova estratégia de sobrevivência emocional que não seja o alimento. A descoberta de que, muitas vezes, o comportamento alimentar é inadequado devido ao alimento estar associado puramente ao prazer ou à gratificação imediata. Ele é utilizado para resolver problemas, mascarar situações desagradáveis e, portanto, não desempenha sua função real.

Perder peso não envolve somente cuidar da alimentação e realizar exercícios físicos. Embora esses sejam dois passos essenciais, a mudança de vida envolve também o fator psicológico – que pode melhorar  o físico – mas que pode ser, também, um empecilho na hora de encarar as mudanças.

Algumas pessoas comem mais do que o necessário, outras se movimentam de menos, enquanto umas podem ainda apresentar disfunções fisiológicas causadas pelo estresse que, como um mecanismo de defesa, faz o organismo estocar mais energia para se proteger das “ameaças”.

Diante desta realidade de muitos brasileiros a equipe de reportagem do Portal Intopo procurou a psicóloga Ana Cláudia Silva Carvalho, mestra pela UFPI em desenvolvimento e meio ambiente e Pós Graduada em Comportamento Alimentar pela IPGS para esclarecer que é possível, sim, emagrecer sem neuras e elevar a autoestima além de um corpo.

Comida é um assunto que se refere ao corpo ou à mente?

Segundo a psicóloga Ana Cláudia "Quando a gente fala sobre comida estamos falando de um componente indispensável para nossa vida então é algo necessário. E quando falamos do nosso comportamento alimentar estamos abordando aspectos ambientais, culturais, subjetivos, cognitivos e fisiológicos do ser humano e o que envolve os sinais de fome de saciedade então falar sobre comida é sobre corpo e mente", diz.

O que provoca a compulsão alimentar atinge mais homens ou mulheres? E é mais recorrente em qual faixa etária: crianças, adolescentes ou adultos onde se enquadra expressivamente?

"O que provoca a compulsão alimentar é preciso entender primeiro que está falando de um transtorno mental de periódica, como se chama... Tem diversas origens, não é unifatorial, mas, tem fatores muitas vezes de predisposição genética, ambiental, por ser algo que é multifatorial o diagnóstico, tratamento e a prevenção é bem complexo precisa de um rede de apoio bem qualificada para o tratamento efetivo e sobre a faixa etária encontra-se mais presentes em jovens e jovens adultos", afirma.

Em que momento realmente precisa-se pedir ajuda para um profissional? Com deve ser o tratamento?

"A grande questão da dificuldade das pessoas em manter o peso o hábito de uma alimentação com mais qualidade é atribuído a mentalidade de dieta, infelizmente vivemos hoje em uma cultura onde os alimentos foram dicotomizados entre bons e ruins saudáveis ou não! E tem uma indústria alimentícia que ganha muito com isso, portanto, essa glamourização dos alimentos essa ideia de que são enquadrados nesses estilos e tipos dificultam a adesão e essas distorções cognitivas essa mentalidade a cerca de uma alimentação contribui para uma relação muito difícil e consequentemente com um comportamento favorável a manutencão de qualidade dentro desse comportamento alimentar", diz.

Por que uma pessoa não consegue manter-se em uma reeducação alimentar e por qual razão acredita-se que alimentos saudáveis, propícios para as dietas, são ruins? Há alguma ligação entre a ideia de que o proibido é mais gostoso e isso de certa forma faz com que as pessoas opte por alimentos menos saudáveis?

"Sobre a questão da restrição 'o proibido é mais gostoso'  o que acontece é que somos seres de liberdade de automonia e quando se é colocado dentro de um planejamento alimentar: um alimento que não pode, que não deve ser consumido que tem dia e hora para o consumo desperta o desejo e o alimento torna se mais procurado, sendo que, a ideia para se ter uma alimentação com qualidade é exatamente ter a liberdade alimentar e não restrição porque quando se tem a restrição é difícil manter esse hábito a longo prazo", finaliza a psicóloga.


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