23/03/2022 às 18h50min - Atualizada em 23/03/2022 às 18h50min

Aras decide pedir inquérito ao STF para apurar suspeitas contra ministro da Educação Milton Ribeiro

O pedido deve ser enviado ainda nesta quarta-feira ao STF

Redação
Reprodução/Internet


Procurador-geral da República quer tomar depoimentos de prefeitos sobre suposto pedido de propina feito por pastores

O procurador-geral da República, Augusto Aras, decidiu pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de crimes envolvendo o ministro da Educação Milton Ribeiro na liberação de verbas para prefeituras indicadas por dois pastores com trânsito no ministério.

O pedido deve ser enviado ainda nesta quarta-feira ao STF. Dentre as diligências previstas, Aras quer tomar o depoimento de prefeitos sobre suposto pedido de propina feito por um dos pastores, Arilton Moura, em troca de interceder na liberação de recursos pelo MEC. O procurador-geral também deve tentar obter cópia de gravações envolvendo o caso.

Diversas representações foram enviadas por parlamentares à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao STF apontando possíveis crimes de Milton Ribeiro, como o de advocacia administrativa, que é o patrocínio de interesses privados dentro da administração pública.

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse em uma gravação que prioriza a liberação de verbas prefeituras cujos pedidos foram negociados por dois pastores, segundo reportagem publicada pelo jornal "Folha de S.Paulo". No áudio, o ministro afirmou que atendeu a uma solicitação do presidente Jair Bolsonaro. Sem cargos públicos, os pastores Gilmar Santos e Arilton Moura atuam como assessores informais do Ministério da Educação, intermediando reuniões com gestores municipais, conforme revelou o jornal "O Estado de S. Paulo".

Reação

Nesta quarta-feira, Ribeiro se colocou à disposição do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do presidente da Comissão de Educação do Senado, Marcelo Castro (MDB-PI), para prestar esclarecimentos ao Legislativo sobre as suspeitas de tráfico de influência na pasta.

Além de fazer algumas ligações para autoridades, Ribeiro também recebeu alguns parlamentares governistas na sede do MEC, pela manhã, onde permanece recluso. No encontro, de acordo com relatos, ele demonstrou tranquilidade diante dos últimos episódios.

Aliados do ministro consideram que não há nada que abone a conduta do ministro e minimizam a divulgação do áudio, revelado pelo jornal Folha de S. Paulo, no qual ele admite que repassa verbas para municípios indicados por dois pastores, Gilmar Santos e Arilton Moura, a pedido do presidente Jair Bolsonaro.

Para pessoas próximas ao ministro, ele "exagerou" nas declarações, mas não cometeu irregularidades. Se houve algum erro, ponderam, foi Ribeiro ter confiado a interlocução da pasta nos estados em alguns momentos aos pastores, e não a parlamentares.

— Enquanto não houver um esclarecimento bom a respeito disso aí, acho que não há problema dele continuar no governo, até pela forma como o ministro se comporta. Eu tenho profundo respeito por ele — disse Mourão, ao chegar no Palácio do Planalto.

Já o vice-presidente da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado federal Luis Miranda (Republicanos-DF) pediu a saída de Ribeiro: "Já temos novo Ministro da Educação? Ou os esquemas vão continuar? Déjà vu… acho que já vi esse filme!", publicou Miranda, que no ano passado denunciou na CPI da Covid um suposto esquema de corrupção na compra de vacinas contra Covid-19 no Ministério da Saúde.

Sobre a gravação em que Ribeiro afirma que houve um "pedido especial" de Bolsonaro para atender aos pleitos do pastor Gilmar Santos, Mourão disse que é preciso saber se houve uma edição.

— Uma gravação, né? Você não sabe se aquilo está editado se não está editado. Então a gente não pode, a priori, chegar emitir um juízo de valor.

Fonte: O Globo


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