21/01/2022 às 17h37min - Atualizada em 21/01/2022 às 17h37min

Livro sobre traição contra Anne Frank e família revela investigação séria, mas conclusão exige cautela

De acordo com a canadense, "a grande inovação da nova investigação foi usar a inteligência artificial". Pankoke se juntou a uma equipe de pesquisadores holandeses em junho de 2016, "movidos pelo impulso de quem rastreia um assassino com métodos contemporâneos do FBI".

Redação
G1
Anne Frank em 1940 em Amsterdã, Holanda, em imagem feita por fotógrafo desconhecido
O lançamento na França do livro sobre a traição contra Anne Frank ("Qui a trahi Anne Frank", título em francês), da escritora canadense Rosemary Sullivan, recebeu vários comentários na imprensa nesta semana. A obra relata as conclusões de uma extensa investigação dirigida por um ex-agente do FBI, Vincent Pankoke. 

À frente de uma equipe de 30 pessoas, que trabalhou durante cinco anos no caso, Pankoke defende que o esconderijo da família da adolescente judia em Amsterdã foi delatado à polícia nazista, em 1944, por um tabelião também judeu, Arnold Van der Bergh. Ele teria traído a família de Anne Frank para salvar a própria família. 

Segundo a revista "M" do jornal Le Monde, a investigação é séria e a descoberta significativa, mas uma certa cautela é necessária. A publicação francesa recorda o histórico de documentários e livros já publicados sobre o caso, inclusive uma outra investigação recente, de 2016, solicitada pela Casa de Anne Frank em Amsterdã, que concluiu que a família dela foi descoberta por acaso pelos nazistas, após buscas da polícia relacionadas com um tráfico de tíquetes de racionamento e empregos ilegais.

A revista "Le Point" também traz trechos do livro de Rosemary Sullivan, com declarações da autora. De acordo com a canadense, "a grande inovação da nova investigação foi usar a inteligência artificial". Pankoke se juntou a uma equipe de pesquisadores holandeses em junho de 2016, "movidos pelo impulso de quem rastreia um assassino com métodos contemporâneos do FBI".

Para chegar ao delator, psicólogos, grafologistas e outros especialistas fizeram estudos de comportamento, levantamento de perfis, pesquisas de DNA, datação por carbono, análise de impressões digitais, reconhecimento de voz, triangulação e peneiraram as informações com algoritmos.

Arquétipo da vítima

Mas, afinal, por que Anne Frank continua tão popular? Para a historiadora francesa Annette Wieviorka, especialista no Holocausto ouvida pela revista "M", além do talento para escrever atribuído à adolescente, "Anne Frank se tornou o arquétipo da vítima, que pode ser associado a todas as vítimas de qualquer tipo de crime". 



O aspecto misterioso de seu desaparecimento alimenta o imaginário das pessoas e o mito, declara a historiadora. Além disso, a Casa de Anne Frank em Amsterdã mantém viva a memória do caso. "O fetiche é acionado para evitar o esquecimento", avalia Annette Wieviorka.

A reportagem da "M" também ouviu a opinião de Lola Lafon, escritora francesa que prepara um livro sobre Anne Frank. Ela diz que o grande desafio, quando se trata da jovem, "não é chamar a atenção para os autores, mas sim tentar entender o símbolo que ela representa". "Seria [o símbolo] do Holocausto, da adolescência, da escrita, do feminismo?", questiona Lola Lafon. 

A resposta virá nas páginas desse novo livro dedicado ao caso de Anne Frank, com lançamento previsto na França no segundo semestre do ano.

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