12/01/2022 às 10h34min - Atualizada em 12/01/2022 às 10h34min

No lugar de chope, vinho passa a ser servido gelado em torneiras

Em balcões de bares e restaurantes, a bebida sai agora gelada da torneira

Redação
IstoÉ
PRAZER A arquiteta Fernanda Negrelli, na Carlos Pizza, se surpreendeu com o frescor da bebida (Crédito: Wanezza Soares)

Uma nova onda vem se espalhando pelos bares, restaurantes da moda e até mesmo festas. A diversão é tomar vinho gelado (a 2 graus) direto do barril. Trata-se de um sistema de torneiras, parecido com o do chope, ligado, por serpentinas, a um tonel de inox de 20 litros. Apesar da semelhança com as chopeiras, ele tem especificidades próprias e a bebida sai como se fosse vinda da garrafa, elegantemente sem espuma. A ideia do vinho na pressão surgiu há um ano, em plena pandemia, em São Paulo e já chegou ao Rio de Janeiro. Pode parecer estranho tamanha banalização dos rituais, que normalmente envolvem a bebida, mas a ideia vem agradando ao público. No País, o consumo do vinho aumentou 28%, entre 2019 e 2020, enquanto o da cerveja 1,7%. “Além disso, o brasileiro se destaca no mercado global como o consumidor mais aberto às novidades”, diz o consultor Rodrigo Lanari, fundador da Winext. Sete de cada dez apreciadores gostam de expandir o paladar, de acordo com o relatório Wine Brazil Landscape 2021, realizado pela consultoria inglesa Wine Intelligence.

“Nos EUA, vinho na torneira é bem comum. Esse sistema preserva mais a qualidade da bebida, do que o das garrafas com dosadoras”, diz André Penazzi, 33 anos, incorporador de prédios populares do Nordeste. A moda ainda não chegou em João Pessoa, onde mora,” infelizmente”, segundo ele. Se nos EUA, o sistema permite que o consumidor experimente vários rótulos, no Brasil, ele fica restrito ao blend nacional. Alguns se surpreendem ao descobrir a procedência, Caxias do Sul. Esse foi o caso da arquiteta paulistana Fernanda Negrelli, que passou as férias em Portugal, praticando hipismo e, sempre que possível, experimentando novos rótulos do país. Nesse início de ano, ela descobriu a novidade do vinho na torneira. “Gostei muito do rosé. É muito refrescante e senti um aroma floral”, disse ela. Essa tendência renasceu em São Paulo, devido ao projeto Tão Longe, Tão Perto, da sommelier Gabriela Monteleone, de 38 anos, e do argentino Ariel Kogan, importador de vinhos. A ideia da dupla é privilegiar a produção nacional e estabelecer a ponte direta com o consumidor.

Opção sustentável

“Por ter o envase mais sustentável, diminui a pegada de carbono”, conta Gabriela, referindo-se à eliminação das garrafas no processo. O comerciante precisa apenas abastecer o tonel de inox na loja conceito do projeto, que funciona no Futuro Refeitório, em Pinheiros, bairro paulistano conhecido pelas opções gastronômicas. Para o consumidor, uma das vantagens é o preço. “A meia garrafa e o copo nunca são um bom negócio para o bolso, mas o vinho tirado na torneira tem preço mais atraente”, diz o argentino Luciano Nardelli, de 43 anos, sócio do Carlos Pizza, que conta com duas torneiras. O vinho chileno em taça sai por R$ 39, o da torneira, R$ 28. “O sistema tem ajudado muito a aumentar a penetração da bebida nacional”, diz Lanari. “Apesar de o brasileiro ainda ter ressalvas com o produto local, o nosso vinho melhorou muito. Aos poucos a percepção vem mudando, com incentivos de projetos como o Tão Longe, Tão Perto.”

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