07/01/2022 às 16h48min - Atualizada em 07/01/2022 às 16h48min

'Sou ministro da Saúde, não sou fiscal', diz Queiroga sobre vazamento de dados de médicos

Ministro justifica que audiência organizada pela pasta foi realizada na sede da Opas

Redação
O Globo
Ministro da Saúde Marcelo Queiroga em coletiva de imprensa em Brasília Foto: SERGIO LIMA / AFP
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta sexta-feira que a pasta não tem responsabilidade em relação aos dados pessoais de três médicos que defendem a vacinação de crianças contra a Covid vazados pela deputada bolsonarista Bia Kicis (PSL-DF). O  blog da jornalista Malu Gaspar revelou que os documentos estavam em poder do ministério e foram para grupos que alimentam correntes contra a imunização.

Sou ministro da Saúde, não sou fiscal de dados do ministério — afirmou Queiroga.

O ministro afirmou que o vazamento não é um problema do ministério, já que a audiência pública sobre vacinação infantil foi realizada na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), em Brasília. Ele destacou também que o esclarecimento deve ser dado pela deputada.

Quem divulgou? A deputada Bia Kicis, você tem que questionar ela. Aliás, os conflitos de interesse de qualquer um que participa de discussões relativas a políticas públicas eles têm que ser declarados e eles têm que ser publicizados, que é para as pessoas saberem — disse o ministro.

Grupos ligados ao movimento antivacina divulgaram, na internet, documentos com informações como CPF, e-mail e telefone dos pediatras Isabella Ballalai e Renato Kfouri, da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), e Marco Aurélio Sáfadi, da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Os médicos cobraram providências do governo.

A deputada bolsonarista admitiu que os documentos foram compartilhados pela pasta da Saúde. Ela informou que os dados foram repassados “sem restrições” e que enviou a um grupo de WhatsApp. Porém, ela negou ser responsável pelo vazamento.

O ministério desistiu de exigir receita médica ao liberar a vacinação para o público de 5 a 11 anos na última quarta-feira. Integrantes da Câmara Técnica Assessora de Imunização Covid-19 (CTAI)  têm sido alvos de xingamentos e intimidações após a liberação da vacinação para crianças.

Ação criminosa

Em nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) repudiou o vazamento de dados e classificou a divulgação de informações pessoais como uma “ação criminosa, por agentes públicos”. A associação informou que tomará as medidas possíveis para responsabilizar os detratores dos médicos, inclusive do ponto de vista legal.

“Lamentável e condenável, a iniciativa configura ataque à liberdade de pensamento e de expressão, tentativa de intimidação, além de método de incitar ameaças por parte das forças negacionistas a médicos comprometidos exclusivamente com a Ciência e a boa assistência aos brasileiros”, diz a nota.

A AMB ressalta  também que “não se calará em momento qualquer diante de ataques à boa Medicina, à assistência digna aos cidadãos, aos médicos que exercem sua autonomia pautados em sólidas evidências científicas”.



 
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