25/01/2022 às 22h54min - Atualizada em 25/01/2022 às 22h54min

Capa da Vogue Britânica fotografada por brasileiro gera revolta

“Essa foi a melhor maneira de celebrar a beleza negra? Não teria sido melhor deixar transparecer sua beleza natural e única?”

CNN
Natália Borges
Iluminação, estilo e maquiagem teria exagerado os tons da pele dos modelos/ Divulgação
A capa da revista Vogue britânica de fevereiro de 2022 fotografada pelo afro-brasileiro Rafael Pavarotti, que deveria celebrar o sucesso das top models africanas,foi duramente criticada e levanta discussões por ter manipulado a cor da pele das modelos
  
As críticas são em torno de que nas imagens as modelos têm alteração propositalmente exagerada nos tons de pele. Elas tem vários tons mais escuros do que o tom de pele normal, retratadas em um quadro sombrio e sinistro, todas vestidas de preto, usavam perucas estranhamente penteadas.  A iluminação tão obscura a ponto de elas serem quase indistinguíveis.

Os questionamentos são: por que não deixar transparecer sua beleza natural e única? Sendo que muitas dessas mulheres normalmente usam seus cabelos naturais, e ver a naturalidade delas refletido em uma capa celebrando a beleza africana, seria o ideal, criticou Stephanie Busari, editora da CNN na Nigéria. “Essa foi a melhor maneira de celebrar a beleza negra? Não teria sido melhor deixar transparecer sua beleza natural e única?”.

A escritora Natasha Akua, da república africana de Gana, escreveu em sua conta no Instagram: “Quando vi, fiquei imediatamente chocada… Sinto que sei que declaração ele estava tentando fazer visualmente, mas transformar essas modelos negras em um estranho quadro saído de um filme de terror pareceu instintivamente errado”.



O comediante sul-sudanês Akau Jambo resumiu sua indignação: “Isso não é arte, isso é pornografia de pele preta. Fetiche negro. Isso é o que eles fazem com modelos do Sudão do Sul, para contar uma história sobre a África, e as pessoas estão dizendo que não entendemos a perspectiva do artista; mas você pode contar uma história e projetar uma narrativa falsa. Nós não queremos que vocês façam de nós os negros que vocês querem que a gente seja. Queremos ser o que somos.”


As imagens, publicadas em inúmeras revistas brilhantes ao longo dos anos, são consistentes com seu estilo visual do fotógrafo que é de apresentar a pele negra de maneira ultra-escura.

“Esta é uma celebração das mulheres, do matriarcado e da beleza das mulheres negras”, disse Pavarotti sobre sua primeira capa da Vogue britânica, em um artigo que acompanha as fotos online. “Elas são o passado, o presente e o futuro”, acrescentou.

Em um artigo publicado no site da Vogue, Enninful descreve as modelos (Adut Akech, Anok Yai, Majesty Amare, Amar Akway, Janet Jumbo, Maty Fall, Nyagua Ruea, Abény Nhial e Akon Changkou) como “um poderoso grupo de superestrelas emergentes que não apenas dominaram as passarelas e as campanhas publicitárias, mas mudaram as lentes pelas quais a moda é vista em todo o mundo”.

Ele acrescentou: “Não é mais apenas uma ou duas garotas de pele escura misturadas nos bastidores, mas uma série de top models assumiu um lugar significativo, substancial e igual entre as mulheres mais bem-sucedidas que trabalham na moda hoje. Significa muito para mim ver isso”.






 
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